Carta ao Relator da ONU - Novembro de 2007 |
Prezado Senhor PHILIP ALSTON
MD Relator sobre execuções arbitrárias, sumárias ou extrajudiciais da Organização das Nações Unidas.
Somos uma Organização Não-Governamental focada na defesa dos interesses dos agentes de segurança pública. Entre nossos objetivos estão o estreitamento das relações entre a sociedade civil e as forças policiais e a elevação da auto-estima dos integrantes das corporações, atualmente criticados duramente por suas ações. De um lado temos a sociedade que clama, legitimamente, pela redução dos índices de criminalidade e de outro delinquentes que, cada vez mais bem armados, ameaçam a população e caçam policiais pelas ruas de nossa cidade, anunciando suas mortes como se fossem troféus. Em meio a essa catástrofe, os governantes insistem em pagar baixíssimos salários, manter o contingente policial de forma sofrível e sem uma infra-estrutura capaz de sustentar a operacionalidade das polícias.
Os poucos policiais que ainda se encontram dispostos a combater o crime, viraram alvo de constantes críticas e maledicências de algumas instituições, cujo resultado são os intensos conflitos tais como esse que motivou sua vinda ao Estado do Rio de Janeiro.
Fazemos o impossível com o que possuímos em termos de contingente, equipamentos e treinamento. Admitimos que o número de óbitos ocorridos durante os inevitáveis confrontos entre policiais e bandidos não é o ideal, mas precisamos atentar que os policiais do Rio de Janeiro, diferentemente das demais unidades da federação, são os que mais se envolvem em confrontos armados e também os que mais são abatidos nesses eventos.
Por uma nefasta coincidência, nesta semana de sua visita, quatro policiais do Rio de Janeiro perderam a vida e apenas um deles encontrava-se em confronto direto com os meliantes durante uma ação policial, que buscava dar apoio a outra unidade encurralada nos becos da comunidade. Os outros três foram covardemente eliminados, em uma EXECUÇÃO SUMÁRIA, apenas por serem policiais. O Inspetor Paulo Demétrio Sitas, foi assassinado quando se encontrava em uma clínica médica quando bandidos anunciaram o assalto e o identificaram como policial. Os Policiais Militares Marcos Aurélio Alves de Oliveira e Leonardo Peterson de Freitas foram executados, sem chances de qualquer reação, por cerca de trinta traficantes que retaliaram uma investida policial em seu reduto criminoso e, por último, o Inspetor Eduardo Henrique de Matos foi alvejado no helicóptero da polícia, quando participava de uma Operação Policial.
Neste ano já contabilizamos 120 policias mortos, numa terrível média de 10 mortos a cada mês.
Mesmo nessas condições, nesta mesma semana, obtivemos um número recorde na quantidade de drogas apreendidas e diversos traficantes foram capturados e ainda, as apreensões de armas de guerra, que é uma infeliz rotina em nossas atividades. Gostaria que o senhor entendesse que os policiais do Rio de Janeiro não agem em oposição aos direitos humanos, mas o confronto direto se torna cada vez mais inevitável dada a ousadia dos criminosos que, se não confrontados, saem de seus redutos e promovem ataques pelas ruas da cidade. Impor integralmente aos policias a culpa de todos os erros percebidos na questão da violência é, no mínimo, um ato de injustiça.
Luiz Mattos
Presidente
Fábio Domingos
Diretor de Comunicações
ONG Viva Polícia
www.vivapolicia.org.br