Em 1999 o governo do Estado do Rio de Janeiro hasteou a bandeira de que um dos grandes, se não o maior problema da Segurança Pública eram os policiais corruptos, surgindo o neologismo “Banda Podre”. Criaram-se diversos organismos de fiscalização e vigilância do trabalho policial. Policiais foram afastados, colocados à disposição e muitos foram exonerados de suas funções. Muita gente deu palpites sobre como as instituições deveriam agir para apurar os casos de desvio de conduta dos agentes e muitos destes, efetivamente, perderam os seus cargos.

A matéria publicada pelo Jornal “O Globo” na edição de 15/02/05 faz menção ao afastamento de 950 policiais num período de seis anos e também informa que alguns deles retornaram a ativa por uma decisão administrativa, provando, assim, que seu afastamento era irregular ou aconteceu de forma precipitada. Errou o Estado ao dar ouvidos a pessoas que desconhecem o trabalho policial que, com seu raciocínio preconceituoso, induziram os governantes ao erro.

A matéria está incompleta. Faltou dizer quem vai pagar pelo dano causado à moral do policial que foi demitido sem que lhe fossem dadas todas as possibilidades de defesa. Certamente aqueles que retornaram ao trabalho depois de uma experiência amarga não terão a mesma motivação de antes. Espero que não se transformem em omissos.

Para finalizar acrescento: a criminalidade não diminuiu.

Punição para a Banda Podre
São tristes e estarrecedores os resultados alcançados nas investigações policiais que culminaram com a descoberta do envolvimento de famosos com traficantes das favelas do Rio de Janeiro. Tristes porque percebemos que os ídolos não se preocupam com sua imagem ou nos reflexos que essa proximidade pode acarretar em seus admiradores; estarrecedores porque, em sua maioria, alegam que sentem necessidade dessa proximidade.

Por quê?

Subir uma favela para participar de um evento voltado para a população que reside nas favelas é louvável e extremamente necessário; agora, ter o telefone do traficante na memória do celular é outra coisa. Uma pessoa de bem tem em sua agenda os números de telefones de pessoas com quem mantém um relacionamento, seja ele pessoal ou comercial. Que tipo de negócio ou relacionamento um cantor, artista ou atleta profissional tem com traficantes? Quais as verdadeiras intenções dessas pessoas?

O caso não é recente e nem exclusividade da Cidade Maravilhosa, pois já tivemos o caso do ator Marcelo Anthony no Rio Grande do Sul, recentemente em São Paulo com o ex-jogador Edinho, filho do Rei Pelé e, um caso mais grave, a luta travada por Maradona contra a dependência de drogas que destruiu sua carreira esportiva. Mas o pior de tudo é que, mesmo cientes dos danos causados pela proximidade ou pelo uso de drogas, estas pessoas ainda encontram quem os patrocine, vendando os olhos dos admiradores a respeito do passado do artista com campanhas publicitárias de péssimo gosto, vide o caso da operadora Tim que em sua campanha do dia dos pais usou o cantor Marcelo D2, ex-vocalista do grupo Planet Hemp, como garoto propaganda. O que eles queriam passar para a população até hoje não entendi.

As pessoas parecem que não percebem que freqüentando a “boca de fumo” ou participando de eventos patrocinados pelo tráfico somente fortalece a imagem do chefe da quadrilha perante a comunidade o que, para ele, é bastante benéfico. Primeiro porque posa de benfeitor: faz festas, promove eventos, traz artistas e outros famosos para o convívio com os moradores. Segundo porque os eventos atraem pessoas que não residem na favela, mas que consomem drogas vendidas ali, aumentando o faturamento, possibilitando a reposição de armamento, encomendar mais drogas aos fornecedores nacionais e internacionais, aliciar outras pessoas a fazer parte da quadrilha e aumentar o medo da violência.

Outro fator que deve ser considerado pela sociedade em geral é de que usar, vender, oferecer ou estimular o uso de droga, além de causar dependência química, ainda é crime previsto em Lei vigente em nosso país. Por esse motivo, precisa ser combatido pelas forças policiais, gerando os confrontos armados que expõem os moradores das comunidades ao perigo de serem alvejados por projéteis de arma de fogo.

A polícia faz o que pode.

Alguns membros da sociedade precisam deixar de ser hipócritas e fazer a sua parte também, repudiando aqueles que incentivam os criminosos em suas atividades nefastas, trazendo para si a responsabilidade em criar bem seus filhos, mostrando-lhes de forma definitiva o que é certo e o que é errado e, principalmente, incutir em suas mentes que a Lei deve ser respeitada, incondicionalmente, por quem quer que seja.

Estamos passando por um momento em que a sociedade perdeu a noção de quem faz o bem e quem faz o mal. Precisamos estabelecer uma linha divisória entre estas pessoas.
 
A polícia é esta linha. Resta saber de que lado da linha você vai estar.
 
Aos Hipócritas!

 

Com a Palavra, o Presidente: